sexta-feira, 9 de julho de 2010

Poa Loteada: Antigo estádio do Força e Luz será um shopping















Porto Alegre loteada, mais um espaço entregue...
A prefeitura se omite propositavelmente, e o Deus Mercado (especulação imobiliária) age livre ao seu bel prazer, para construir mais um shopping em reverência ao Deus Consumo.
O novo título de Poa: a capital brasileira dos shoppings centers!
Lamentável e triste.

segue a reportagem

Zaffari fará shopping no bairro Santa Cecília
Marcelo Beledeli

O antigo estádio do Grêmio Esportivo Força e Luz, no bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, será transformado em um novo shopping center. A Companhia Zaffari proprietária do terreno, entregou ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) da Capital o projeto para construção de um centro de compras e um supermercado no local (rua Alcides Cruz, 110). A proposta será analisada nas próximas semanas pelos membros do conselho e, uma vez aprovada, será requisitado o relatório de impacto ambiental da obra.
Segundo a engenheira civil Gilmara Müller, relatora do projeto junto ao CMDUA, o terreno onde o novo shopping será instalado possui 2,1 hectares de área. O espaço total a ser ocupado pelo empreendimento será de 94 mil metros quadrados. O projeto prevê um prédio com sete andares e dois subsolos. No primeiro andar, será instalado um supermercado de 2,5 mil metros quadrados. Já o segundo e terceiro pavimentos receberão lojas, enquanto o quarto abrigará salas de cinema com capacidade para 900 lugares. Os três andares superiores serão usados como estacionamentos. A construção do centro comercial também envolve a abertura de uma ligação entre as ruas Dona Eugênia e Silva Só, modificando a estrutura viária da região.
De acordo com nota do Grupo Zaffari, o projeto tem previsão de execução de médio prazo. O terreno do Força e Luz foi comprado em leilão por R$ 9,5 milhões, em agosto de 2006, após duas tentativas frustradas do clube de conseguir uma oferta mínima de R$ 11 milhões. Nos dois leilões anteriores, realizados em abril e junho de 2006, o clube recusou R$ 10 milhões pelo imóvel.
Na época da transação, o Grêmio Esportivo Força e Luz estava com sua saúde financeira debilitada. O complexo gerava uma despesa anual de cerca de R$ 150 mil, enquanto os 380 sócios contribuíam mensalmente com apenas R$ 15,00 na época. O ativo leiloado é constituído por uma sede social, salas e quadra de bocha.
Com o negócio, o Grupo Zaffari arrematou um símbolo da história do futebol gaúcho, o famoso pavilhão do antigo estádio da Baixada do Grêmio, doado em 1954 ao Força e Luz em troca do zagueiro Airton Ferreira da Silva - o Airton Pavilhão.
Este é o segundo projeto de um novo centro comercial apresentado pelo Grupo Zaffari a CMDUA neste ano. O conselho já aprovou no início de junho a construção de um prédio de três andares, na avenida Furriel Luiz Antonio de Vargas, 239, bairro Bela Vista. O estabelecimento deverá ter um supermercado, salas comerciais, praça de alimentação, academia de ginástica, cinema e um estacionamento com 873 vagas. Além disso, junto ao local a empresa também planeja a construção de um prédio para escritórios com nove andares. O terreno onde este empreendimento deve ser instalado pertencia ao Instituto de Previdência do Estado (IPE), e foi adquirido, através de leilão, pelo grupo Zaffari, em 2004, por R$ 12,5 milhões.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=33355

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Conversas Cruzadas, TV COM , hoje 22h:30min - Alterações no Código Florestal

Programa Conversas Cruzadas - Alterações Código Florestal Brasileiro

Hoje, dia 7 de julho, às 22:30 h na TV-COM, Canal 36 no RS, (http://mediacenter. clicrbs.com. br/templates/ playerpopup. aspx?midia= 1636&tipoVivo=1) ou (http://www.clicrbs. com.br/especial/ rs/tvcomrs/ home,0,5202, Home.html) terá um debate sobre a mudança no Código Florestal.

Convidados:

Críticos à mudança:
1)Paulo Brack - professor do Biociências da UFRGS e membro da ONG Ingá.
2) Representante do Ministério Público Estadual.

Favoráveis à mudança:
1) Representante da Farsul.
2) Representante da FETAG ou algum deputado estadual - possibilidade do Heitor Schuch (PSB).

Assiste, ligue e mande perguntas.

"Retrocesso, retrocesso" foi o grito dos ambientalistas

Comissão da Câmara aprova relatório do novo Código Florestal
Por clipping
A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o novo Código Florestal aprovou o texto nesta terça-feira (6).

O texto foi aprovado por 13 votos contra 5. Ainda precisam ser votados nove destaques, que podem mudar o texto final.

O projeto será analisado no plenário da Câmara após a votação na comissão. Mas essa votação final só deverá ocorrer depois das eleições.

Após a aprovação, os deputados começaram a gritar “Brasil, Brasil”, e os ambientalistas “retrocesso, retrocesso”.

Na segunda-feira (5) o relator do Código, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) apresentou alterações em seu parecer sobre o Código. O parlamentar propôs retirar o poder dos Estados de reduzirem as faixas de mata ciliar ao longo dos rios.

Um dispositivo de sua proposta inicial, apresentada no começo de junho, previa que as unidades da federação diminuíssem ou aumentassem em 50% as chamadas APPs (áreas de preservação permanente) às margens dos cursos d’água.

Com o projeto de Rebelo, os rios com menos de cinco metros de largura poderiam ter a mata ciliar reduzida de 30 metros, o previsto pelo código atual, para 7,5 metros. Caso mantenha a proposta apresentada hoje, a faixa mínima fica em 15 metros. (Fonte: Nancy Dutra/ Folha.com)

Código Florestal avança e agrada a ruralistas - Parlamentares liagados ao Agronegócio comemoram

ANO 115 Nº 280 - PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 7 DE JULHO DE 2010
Código Florestal avança e agrada a ruralistas

A comissão especial que analisa o projeto de lei 1.876/99 de reformulação do Código Florestal aprovou ontem o texto base do relator Aldo Rebelo. As seções de segunda-feira, em que foram lidas as mudanças do relatório, e de ontem, em que houve a votação, foram marcadas pela forte presença de produtores rurais e de ambientalistas. Rebelo disse que as mudanças tiveram como objetivos principais a consolidação das áreas já ocupadas pelas atividades agropastoris e a regularização dos imóveis. Para o deputado Luis Carlos Heinze, a medida beneficiará produtores de suínos, frango, leite, uva, maçã, arroz e fumo. "O Estado justificará a importância das culturas pelo Programa de Regularização Ambiental em áreas de várzea e de declive."

Para o vice-presidente da CNA, deputado Homero Pereira, o texto retira a pressão que existia sobre o produtor. "Essa atualização era necessária porque 90% dos agricultores não estão de acordo com a lei." Os gaúchos participaram com grupos da Fetag, Farsul e Ocergs. O coordenador da Comissão de Silvicultura da Farsul, Ivo Lessa, avalia que das 440 mil propriedades do RS até 80% devem ser beneficiadas por terem até quatro módulos fiscais. Neste caso, o agricultor fica isento de averbar a Reserva Legal. Para ele faltou contemplar a regularização de APPs pelo Estado. "Vamos analisar o texto e ver o que é preciso buscar."

Para o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Montovani, a ação foi premeditada e não deve prosperar. "Os ruralistas abriram uma picada na legislação, foi um golpe contra a sociedade." Em novembro, o texto segue para apreciação do plenário da Câmara, só então segue ao Senado e para sanção presidencial.

PRINCIPAIS MUDANÇAS TRAZIDAS PELO PROJETO 1.876/1999

São áreas de preservação permanente (APP): faixas marginais de qualquer curso d''água natural, desde a borda do leito menor, em largura mínima que varia de 15 metros a 500 metros (era de 30 m a 500 m); entorno de reservatórios d''água artificiais, nascentes e olhos d''água; encostas ou partes delas, com declividade superior a 45º;

Não é considerada APP a várzea fora dos limites previstos nas faixas marginais, a menos que o poder público disponha em contrário;

Nas acumulações naturais ou artificiais de água com superfície inferior a um hectare fica dispensada a APP;

É permitido acesso de pessoas e de animais às APPs para obtenção de água e para realização de atividades de baixo impacto ambiental;

É permitido o uso de várzeas em sistemas de exploração sustentáveis, sendo a supressão de vegetação nativa para uso alternativo do solo condicionada à autorização do Estado;

Não é permitida a conversão de floresta nativa situada em áreas de inclinação entre 25° e 45° para uso alternativo do solo, sendo permitido manejo florestal sustentável; O Conama reconheceu como consolidadas atividades de pastoreio extensivo, produção de espécies lenhosas e frutíferas.

Os imóveis rurais, exceto até quatro módulos fiscais, devem possuir Reserva Legal. No RS, o percentual deve ser de 20%; Pela MP 2166/01 todos os imóveis deveriam ser averbados;

Poderá ser instituída Reserva Legal em regime de condomínio ou coletiva, respeitados os percentuais;

Programa de Regularização Ambiental (PRA) dará prazo limite para averbação de Reserva Legal. Serão beneficiadas propriedades que tiveram vegetação nativa suprimida irregularmente antes de 22 de julho de 2008. O PRA deve ser promulgado em até cinco anos. Neste período, fica assegurada manutenção de atividades consolidadas, vedada expansão. A partir da inscrição no cadastro estadual fica suspensa cobrança de multas de infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008.


Novo Código Florestal avança na Câmara Federal
Relatório regulariza a situação de 90% dos produtores rurais do País

LAYCER TOMAZ/AGÊNCIA CÂMARA/JC

Texto passou com a aprovação de 13 deputados e veto de cinco

A Comissão Especial para a Reforma do Código Florestal Brasileiro concluiu ontem a votação do substituto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ao projeto que propõe uma nova legislação ambiental. O texto foi aprovado por 13 vota a 5 e as nove emendas que propunham modificá-lo foram rejeitadas. Com isso, o texto já está pronto para ser votado pelo plenário da Câmara dos Deputados. No entanto, devido à natureza polêmica do tema, parlamentares ligados a ambientalistas e ruralistas disseram que isso só deve ocorrer após as eleições de outubro.
Segundo Aldo Rebelo, o seu relatório, se transformado em lei, deve regularizar a situação de 90% dos produtores rurais brasileiros. Ele disse que a ideia é consolidar as áreas que já estão sendo usadas para a agropecuária e impedir qualquer desmatamento ilegal futuro. Durante a votação do texto, o clima esquentou entre os parlamentares em vários momentos. Entre os pontos mais polêmicos, está o que dispensa os proprietários de terra com até quatro módulos rurais de recomporem as áreas desmatadas de sua reserva legal, porém nos limites previstos para o bioma Esses limites são de 80% nas florestas da Amazônia Legal, 35% no Cerrado e 20% nas demais áreas campestres.
Nas áreas maiores, ela deve ser feita no mesmo bioma, em até 20 anos, com a anistia das sanções administrativas até 22 de julho de 2008. Além disso, o relatório prevê a redução da área de mata ciliar às margens dos rios que deve ser preservada, chamadas de Áreas de Preservação Permanente (APP) de 30 metros para 15 metros. Embora tenha sido retirada do texto a permissão para que os estados reduzam ainda mais - pela metade - foi mantida a possibilidade para que os órgãos compostos por conselhos estaduais alterem esse tamanho.
Segundo o deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR), o deputado Rebelo "fez um bom relatório, percorrendo o Brasil inteiro e encarando o problema de frente. Se aprovado o substitutivo, ele ajudará a preservar as florestas", disse Stephanes. Já o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou que o relatório prejudica quem cumpriu a lei e preservou. Ele considera que um dos maiores problemas na discussão do tema é que não há uma educação para a preservação com atuação efetiva do Estado. ‘" preciso mais Estado. Tanto para fiscalizar como para dar assistência técnica, principalmente aos pequenos produtores."
Ruralistas comemoram e ambientalistas protestam
O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho da Silva, considerou "um dos maiores avanços contemporâneos para o agronegócio do País" a aprovação do substitutivo que reformula o Código Florestal. "Não é exatamente tudo o que queríamos, mas o texto que foi aprovado torna possível o agricultor trabalhar e acaba com o maior incômodo do maior agronegócio do planeta", disse Ramalho, que acompanhou a votação em Brasília.
Entre os pontos positivos citados pelo presidente da SRB está a possibilidade de o agricultor considerar Áreas de Preservação Permanente (APPs) no cálculo da área de reserva legal da propriedade. "Há ainda uma série de itens que minimiza o tamanho da reserva legal", afirmou Ramalho. O presidente da SRB considerou factível a mudança do tamanho das APPs de 7,5 metros para 15 metros de distância das margens de rios, ponto incluído no substitutivo.
O ruralista considerou ainda o Código Florestal Brasileiro, que tem 45 anos, como ultrapassado e criticou a pressão de ambientalistas, que não queriam as alterações feitas pela Comissão Especial da Câmara. "É uma guerra desnecessária e um terrorismo dos ambientalistas", disse. Um pouco antes da aprovação do relatório, a sessão foi interrompida por manifestantes da organização não governamental Greenpeace, que entraram no plenário abrindo uma faixa com a mensagem "Não vote em quem mata florestas". Por ordem do presidente da comissão, Moacir Micheletto (PMDB-PR), eles foram retirados do plenário.

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=33083

terça-feira, 6 de julho de 2010

Nordeste de luto

Roberto Malvezzi (Gogó)

É época de São João, quando o Nordeste se torna mágico. As festas juninas por aqui têm o sabor das festas natalinas em outras regiões do país. Época de comer, brincar de quadrilhas e forró, celebrar, reencontrar a família, experimentar a gratuidade da vida.

Este ano ficou diferente. O Nordeste ficou de luto pelas cidades arrasadas pelas águas em Pernambuco e Alagoas. Algumas pessoas me escreveram perguntando: como se explica o que está acontecendo?

Dou três fatores para entendermos um pouco o que acontece.

Primeiro, a ilusão alimentada pela indústria da seca que “no Nordeste não chove”. Terrível inverdade. Poucos sabem que o açude Castanhão, no Ceará, com capacidade de armazenar quase sete bilhões de metros cúbicos de água, foi construído exatamente para aliviar as enchentes diluvianas dos rios Salgado e Jaguaribe. A música “Súplica Cearense”, quando um sertanejo implora a Deus para parar de chover, feita ainda em meados do século passado, ilustra essa dimensão pouco realçada do Nordeste.

Em segundo, poucos dias atrás, tivemos na Câmara Nacional de Outorga de Recursos Hídricos, uma oficina para construir os critérios de outorga – licença para uso – das águas dos rios intermitentes do Nordeste. Tive a honra de participar como representante da sociedade civil entre mais de cinqüenta técnicos do governo. Nossa conclusão foi unívoca: “esses rios são importantes, mesmo que as águas passem por eles apenas uma semana no ano. Esses rios só podem receber outorga para usar a água para consumo humano e animal, jamais para lançamento de efluentes – todo tipo de esgoto -, pois não tem massa hídrica para diluir os efluentes durante o resto do ano” . Portanto, mesmo que intermitentes, as águas desses rios serão utilizada pelas populações durante o resto do ano, quando elas ficam armazenadas em açudes, barragens ou pequenos barreiros. Hoje as armazenamos também em cisternas para beber e produzir. Acontece que, em anos de chuvas muito intensas, muitas dessas barragens se rompem, intensificando os desastres que acontecem à jusante.

Terceiro, cito o especialista em clima Phillips Fearnside, americano que vive na Amazônia. Em evento promovido pela CNBB sobre as Mudanças Climáticas, ele nos apresentou dezoito possíveis cenários para o Nordeste. A maioria falava de aumento das temperaturas e dos períodos de estiagem. Entretanto, um deles falava em chuvas diluvianas para o Nordeste. Por ser o único a projetar esse cenário, foi eliminado.

Minha opinião – embora eu não seja técnico, mas vivo aqui e vejo a mudança empiricamente - é que deveria ser mantido. Com o aquecimento do Atlântico grandes volumes de água estão se evaporando, caminhando para o continente, estacionando sobre o Nordeste e produzindo chuvas incalculáveis, como os 230 milímetros em uma chuva em Uauá, sertão da Bahia, ou os 400 milímetros em três dias como essas chuvas sobre Alagoas e Pernambuco. Lembremo-nos ainda das chuvas torrenciais em 2008 sobre Piauí, Ceará e Maranhão. Portanto, os tais fenômenos extremos que nos falam os estudiosos do clima estão realmente já acontecendo.

Somemos esses fatores e teremos um pouco do entendimento do novo Nordeste e da tragédia pernambucoalagoana.