sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Uma incompleta e envenenada História

Gustavo Duch Guillot

Galicia Hoxe

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Uma parte da História não é contada nos livros escolares. As bibliotecas esqueceram dela, que somente enche as páginas dos registros de óbitos. As corporações responsáveis por eles – as fábricas de agrotóxicos – estão tranquilas; suas poções para o cultivo de alimentos são irrespiráveis, e sem respirar não se vive.

Guerra Civil nos EUA: A maior fornecedora de pólvora para o exército da União foi a DuPont. A DuPont, inventora dos CFC (substâncias daninhas para a camada de ozônio) hoje continua com os negócios químicos: é dona da Pioneer, uma das produtoras de sementes transgênicas resistentes aos agrotóxicos, especialmente ao glifosato.

Segunda Guerra Mundial: O gás Zyklon B, que era utilizado nas câmaras de extermínio nazistas, era um inseticida fabricado pela IG Farben. Souberam disso milhares de seres humanos. A herança da IG Farben foi repartida entre a Bayer, a Basf e a Hoechst. Tudo, exceto as responsabilidades penais.

1945: Enquanto a bomba atômica mutilava Hiroshima, um navio americano também viajava para o Japão. Em seus compartimentos de carga, transportava agrotóxicos. A guerra em que seriam estreados teve que aguardar. O “agente laranja” destruíu milhões de hectares de florestas e cultivos na guerra do Vietnam. Somente os soldados americanos afetados pelos efeitos cancerígenos do veneno da Dow Chemical e Monsanto receberam indenizações.

1984: A fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bophal, na Índia, cuspiu veneno e mais de 10 mil pessoas morreram em poucos dias. Outras 15 mil morreram nos anos seguintes e mais de 100 mil continuam com problemas de saúde. A Dow Chemical, que comprou a Union Carbide, tinha aprendido o negócio: a transação não incluiu a responsabilidade sobre o acontecido.

1979: Os Estados Unidos proibiram o uso do agrotóxico Nemagon. A Dow Chemical, sua produtora, sabia dos seus efeitos sobre a saúde das pessoas que o utilizaram, mas prolongou a venda nas plantações da América Central. Somente na Nicarágua, morreram mais de 1400 trabalhadores e trabalhadoras expostos ao veneno.

2010: Fecha-se o círculo. Uma revista científica publica um estudo que demonstra que malformações observadas em humanos são compatíveis com a exposição ao glifosato durante a gravidez; mas continua em expansão a soja transgênica devota do glifosato de companhias como a Monsanto, DuPont ou Bayer.

Os bancos da justiça (des)esperam.

Fonte: http://gustavoduch.wordpress.com/2010/08/25/una-incompleta-y-envenenada-historia

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